Mega experiência estuda o impacto das alterações climáticas na biodiversidade da península ibérica

Mega experiência estuda o impacto das alterações climáticas na biodiversidade da península ibérica

Quando ouvimos falar em alterações climáticas uma das primeiras imagens que associamos é o derretimento do gelo nos pólos e o impacto que tem na biodiversidade dessas regiões. No entanto, os impactos das alterações climáticas não se limitam às regiões polares: corremos o risco de perder muitas espécies, caso os planos de conservação da biodiversidade não tenham em conta as mudanças no clima. Ou seja, para que seja possível salvaguardar a biodiversidade no futuro, é preciso conseguir prever qual será o impacto das alterações climáticas nas espécies de todo o mundo. Para responder a esta questão, uma equipa de investigadores da Universidade de Évora está a realizar uma experiência em campo por toda a Península Ibérica. A partir da alteração da temperatura em charcos artificiais, a equipa liderada pelo Profº Miguel Bastos Araújo pretende avaliar o impacto das mudanças do clima na biodiversidade da região. Foram instaladas 192 charcas artificiais em seis locais, escolhidos por possuir diferentes características climáticas, com o objectivo de testar as previsões de modelos teóricos sobre os efeitos das alterações climáticas na dinâmica dos ecossistemas aquáticos.

“Nas últimas décadas, o estudo do impacto das alterações climáticas na biodiversidade teve um avanço extraordinário. No entanto, continuam a existir incógnitas sobre como responderão os ecossistemas face ao desafio das alterações climáticas” – explica Miguel Araújo, professor catedrático convidado da Universidade de Évora e Investigador Principal do projecto Conservação da Biodiversidade num Mundo em Mudanças, financiado pelo programa InAlentejo, no qual se insere este estudo.

“Os ecossistemas de água doce, como charcas e pequenas lagoas, são muito vulneráveis às alterações climáticas, particularmente a períodos prolongados de seca. Por exemplo, vários estudos mostraram que pequenos aumentos de temperatura (entre 3 a 5°C) poderiam comprometer consideravelmente o crescimento de espécies aquáticas. Um dos grandes desafios que temos de momento é relacionar os impactos observados à escala local com os impactos que poderão ocorrer em escalas mais amplas. O nosso estudo pretende contribuir para a solução deste problema, ao estabelecer uma série de pontos de observação à escala local, mas que se estendem por toda a Península Ibérica. Ao juntar as informações de todos estes locais, teremos uma visão mais alargada do problema”, diz Miguel Matias investigador pós-​doutoral da Universidade de Évora e responsável pela experiência.

O estudo teve início no final de 2013 e foram instaladas 192 charcas artificiais em 6 localidades da Península Ibérica. Os locais foram escolhidos de modo a incluir climas representativos da Península Ibérica, desde zonas semi-​áridas no Sul (Múrcia) até ao topo das montanhas na proximidade dos Pirinéus, passando por ambientes mediterrânicos e continentais (ver mapa).

As experiências consistem em reproduzir o ambiente de charcas naturais instalando charcas artificiais de 1000 litros. Nestes ambientes artificiais é possível simular alterações climáticas através da manipulação da temperatura e do nível da água. Miguel Matias explica que “essas experiências com as charcas artificiais estão a decorrer em simultâneo nas diferentes regiões da Península Ibérica e servem de ponto intermédio entre os estudos pormenorizados em laboratório e a realidade complexa que é observada na natureza.”

“A utilização de sistemas experimentais, em paralelo com o estudo de charcas naturais em cada região, ajuda a compreender melhor o funcionamento das comunidades biológicas em locais da Península Ibérica com diferentes características ambientais, bem como testar as respostas destes ecossistemas às alterações climáticas”, conclui Miguel Matias.

Esta é a primeira vez que se procuram testar as previsões dos modelos teóricos de influência climática nas espécies e ecossistemas recorrendo a experiências controladas a uma escala biogeográfica. “Este é, claramente, o futuro” diz Miguel Araújo. “É muito difícil prever os efeitos das alterações climáticas no mundo vivo em virtude da complexidade das interações biológicas que se estabelecem nos ecossistemas, mas também é difícil testar estas previsões porque se referem a acontecimentos que ainda não ocorreram. A realização de experiências deste tipo procura dar resposta a estes problemas”- conclui o investigador.

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